Por um olhar

Entramos em um mês importante para nós mães, onde temos um dia para sermos mais valorizada e podermos abrir nossos corações fazendo textos emotivos e…

Para tudo!

O momento pede um novo olhar e reflexão! Sei da importância de valorizar quem nos trouxe ao mundo ou o hábito de romantizar nosso papel materno. Mas o papo hoje é outro, afinal estamos buscando e conquistando espaço em muitos pilares, e acredito que essa união e força está nos levando para um lugar que sempre merecemos. Mas para isso seguir acontecendo, é necessário falarmos e debatermos esses assuntos!

O tema dessa entrevista envolve o lado doce da maternidade com a acidez que precisamos ter para dar conta desse universo. Afinal de contas, é empoderador ver uma mulher sendo honesta quando o tema é: ser mãe.

A entrevistada de hoje foi nossa cliente Renata Lehmann.

Enjoy!

ASM: Pra você, o que é ser mãe?

RL: Ser mãe é entender que agora não é só você, não são mais apenas as suas vontades. Você tem outro ser humano para moldar, se entregar, servir e amar incondicionalmente. Afinal, quando a gente ama e espera algo em troca (bom comportamento, o que seja), não é amor, e sim escambo, negociação. Acontece que esse serzinho não se molda através do que você diz, mas sim vendo o que você faz. Isso te obriga a olhar para dentro inúmeras vezes, jogar luz sobre sombras, sentir dor e mudar. Ser mãe é quase como ser uma pintura complexa e inacabada em um eterno jogo de luz e sombra. Aprendizado constante.

ASM: O que a maternidade mudou na sua vida?

RL: Certamente me trouxe mais humildade, me ensinou a ouvir mais e a falar menos, além de respirar e pensar antes de falar. Em termos práticos, me fez repensar toda a minha jornada até então, passando pelo âmbito profissional, que eu coloquei em pausa para poder ser “só” mãe – e também pelo pessoal, que mudou completamente minha perspectiva a respeito de com o quê / quem me preocupar e dedicar as minhas energias. 

ASM: O que você idealizava da maternidade que se frustrou?

RL: Acho que a divisão de responsabilidades entre mãe e pai. Meu marido é um homem incrível, a quem amo e admiro imensamente, mas ainda assim, a gente toma um soco no estômago quando olha com atenção e percebe como a sociedade patriarcal e a criação deles propaga essa desigualdade de envolvimento com tarefas e compromissos relacionados a casa e ao bebê / criança. 

ASM: Quais foram as coisas que você teve que abrir mão na maternidade?

RL: Da ilusão de que devo ter controle sobre tudo. Abrir mão do ego, aprendendo aos poucos a confiar na minha filha, no pai dela, em rede de apoio, para não enlouquecer. Crenças enraizadas sobre a criação de filhos… E também de algumas amizades pré-maternidade que foram se esvanecendo. Isso trouxe muita mágoa, sentimento do qual também precisei aprender a abrir mão para aceitar que a vida é assim mesmo e segue o baile.

ASM: Você se lembra das maiores dificuldades dos primeiros meses?

RL: Amamentação, privação de sono e interferência de familiares. 

ASM: Quais aprendizados você tirou nesses 4 anos sendo mãe?

RL: São tantos que não consigo nem listar. Mas principalmente para ter cuidado, porque tudo nessa vida passa. Tanto as dores e dificuldades quanto aqueles momentos mágicos com os pequenos, que fazem o tempo parar. Aquela cheirada no cabelo, o dormir agarradinho. Diria que a maioria dos aprendizados se resume a estar presente e conectada com o momento, seja qual for. 

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ASM: Se você tivesse um super poder, qual escolheria?

RL: Me desdobrar em mais de uma, com certeza. Mandaria uma pro trabalho, a outra pro mercado, a outra pra academia, a outra sairia para jantar e namorar o marido, a outra ficaria com a criança, a outra em um spa, mas no fim das contas seria sempre eu que colheria todos os frutos. É pedir muito? Risos.

ASM: Você já era mãe quando a pandemia começou. O que você traria de positivo e negativo na sua relação com a Eva quando o isolamento começou?

RL: Com certeza a pandemia me fez olhar ainda mais para dentro, pois não havia para onde fugir. Trabalhar minha forma de comunicação com ela foi fundamental. Cozinhamos muito juntas, o que é algo que nos conecta muito. Isso veio junto com o desmame, então foi um presente aprender a nutrir minha filha cozinhando com ela e para ela, sem ter o peito como intermediário. De negativo, carga mental, falta de leveza. Enquanto o marido trabalhava para manter a empresa viva e pagar os boletos, eu me virava para limpar, cozinhar, arrumar, cuidar, inventar atividades…e isso encurtou bastante minha paciência. Acho que fiquei mais cuidadosa do que o necessário em relação a saídas e encontros com outras crianças e isso pode ter causado um impacto negativo nela. 

ASM: O que você acha sobre a desromantização da maternidade?

RL: Algo extremamente necessário. Tanto a desromantização para aquelas que sempre sonharam em ser mães e acham que a maternidade vai ser um cruzeiro no caribe, quanto a desromantização acerca da mulher “ter que ser” mãe. Isso não existe mais, mas acaba sendo uma questão angustiante para muitas mulheres. Isso sem contar a ilusão de que temos (porque jogaram em cima da gente) que dar conta de tudo e sermos super-heroínas. 

ASM: Agora você será mãe de duas, qual você acha que tem sido o maior desafio entre gestar e criar?

RL: Deixar o orgulho de lado e tentar ser 100% empática e compreensiva com as questões que a mais velha tem trazido. Comportamento desafiador, tapas, arremesso de objetos, respostas atravessadas, xingamentos… Não levar isso tudo pro pessoal e entender que ela está passando por um momento super difícil, de não saber ainda como que ela vai se encaixar nessa nova dinâmica familiar, de sentir essa perda da atenção exclusiva. No fim do dia, meu psicológico está absolutamente esgotado. Fora isso, o cansaço físico. Antes era só dormir. Agora tem ela do lado de fora para lidar enquanto a pequena cresce no forninho

ASM: O que você acha sobre a rede de apoio?

RL: Infelizmente é algo ao qual nem todas tem acesso. Seja por questões financeiras, geográficas, contextos familiares… Mas é de uma importância extremamente relevante para a saúde mental da mãe. Caso seja possível, tentar expandir e delegar. Rede de apoio não é só pai, avós… É aquela amiga que quebra um galho, a escolinha, alguém que cuide da casa enquanto você cuida da criança, terapia… Tenho total consciência de que sou uma privilegiada nesse sentido, pois estou longe da família e consegui montar uma estrutura (paga) para que eu tenha o mínimo de sanidade mental, dentro do meu contexto.

ASM: O que sua filha Eva representa para você?

RL: A inocência, a pureza, o maior amor do mundo, que chegou quebrando tudo e virando tudo de ponta cabeça – minha primeira, minha eterna mestra, que me ensina tanto todos os dias e que faz com que eu tente ser uma pessoa melhor, mais aberta e empática – por ela, por mim e para todos que estão ao meu redor.

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