Repelente para gestante: quais são seguros e como usar na gravidez

Gestante segurando um repelente para gestante enquanto se prepara para proteger a pele contra picadas de mosquitos durante a gravidez.

Durante a gravidez, é normal ficar com dúvida sobre tudo o que entra em contato com o corpo. E uma pergunta muito comum é: gestante pode usar repelente?

A resposta é sim. A grávida pode usar repelente, desde que o produto seja registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, e usado conforme as instruções do rótulo. 

Segundo a Anvisa, não há impedimento para o uso de repelentes tópicos por gestantes, desde que sejam devidamente registrados e aplicados da forma correta.

Esse cuidado é muito importante porque o mosquito Aedes aegypti pode transmitir doenças como dengue, zika e chikungunya. Na gestação, a prevenção precisa ser levada ainda mais a sério, tanto para proteger a mãe quanto o bebê.

Neste conteúdo, vamos explicar quais tipos de repelente para gestante são considerados seguros, como usá-los corretamente e quais opções merecem mais atenção.

Gestante pode usar repelente?

Sim, gestante pode usar repelente. A própria Anvisa informa que repelentes de uso tópico podem ser utilizados por mulheres grávidas, desde que o produto tenha registro no órgão e que a gestante siga as orientações do rótulo.

Na prática, isso significa que o mais importante é olhar a embalagem antes de comprar e verificar:

  • se o produto é registrado na Anvisa;
  • qual é o princípio ativo;
  • para qual público ele é indicado;
  • quantas vezes ao dia pode ser aplicado;
  • em quais áreas do corpo ele pode ser usado;
  • se existe alguma contraindicação específica.

Ou seja, a pergunta não é apenas se a grávida pode usar repelente, mas qual repelente é seguro para gestantes e como ele deve ser aplicado.

Por que o repelente é tão importante na gravidez?

O uso do repelente para gestante ajuda a reduzir o risco de picadas de mosquitos transmissores de doenças, principalmente o Aedes aegypti.

Esse mosquito pode transmitir dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Durante a gravidez, essas doenças podem trazer riscos maiores e exigir acompanhamento médico mais cuidadoso.

Por isso, em regiões com muitos casos de dengue ou em períodos de maior circulação do mosquito, o repelente vira um cuidado diário. Além disso, roupas adequadas, telas nas janelas e eliminação de água parada também fazem parte da proteção.

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Quais repelentes são seguros para gestantes?

De acordo com a BVS Atenção Primária em Saúde, os repelentes considerados seguros e aprovados pela Anvisa para uso durante a gravidez são os que têm como base DEET, icaridina ou IR 3535.

A Anvisa também cita o uso de substâncias como Icaridin ou Picaridin, Ethylbutylacetylaminopropionate, conhecido como EBAAP ou IR 3535, além do DEET em cosméticos repelentes usados no Brasil.

Veja melhor cada um deles.

Repelente com icaridina

A icaridina é um dos ativos mais procurados quando o assunto é repelente seguro para gestantes. Ela também pode aparecer no rótulo como picaridina.

Esse tipo de repelente costuma ser bem aceito porque tem boa duração, não costuma ter cheiro forte e tende a causar menos incômodo na pele. Segundo a BVS, uma preparação com 20% de icaridina oferece proteção contra mosquitos por cerca de 5 horas.

A icaridina pode ser uma boa escolha para quem passa mais tempo fora de casa, mora em região com muitos mosquitos ou sente enjoo com cheiros fortes durante a gestação.

Mesmo assim, vale lembrar: o produto deve ser usado de acordo com a indicação do fabricante. Se houver alergia, coceira, ardência ou irritação, o ideal é suspender o uso e conversar com o médico.

Repelente à base de DEET

O repelente à base de DEET também está entre as opções permitidas para gestantes. No rótulo, ele pode aparecer como DEET, N,N-Dietil-meta-toluamida, N Dietil meta toluamida ou ainda DEET N,N.

A Anvisa informa que estudos conduzidos em humanos no segundo e terceiro trimestre de gestação, além de estudos em animais no primeiro trimestre, indicam que o uso tópico de repelentes à base de N,N-Dietil-meta-toluamida, o DEET, por gestantes é seguro.

A BVS também explica que produtos com 10% de DEET oferecem cerca de 2 horas de proteção, com 20% chegam a quase 4 horas e com 25% podem fornecer até 10 horas. Porém, concentrações acima de 50% não aumentam o tempo de proteção.

Ou seja, o repelente à base de DEET pode ser usado na gravidez, mas sempre com atenção à concentração, à frequência de aplicação e às instruções do rótulo.

Repelente IR 3535

O IR 3535 também pode ser utilizado por gestantes. Ele pode aparecer no rótulo como EBAAP ou Ethylbutylacetylaminopropionate.

Segundo a BVS, os repelentes com IR 3535 são considerados uma opção adequada, inclusive em regiões endêmicas de malária. A mesma fonte aponta que esse ativo pode irritar os olhos e danificar alguns plásticos, por isso a aplicação precisa ser feita com cuidado.

Um ponto importante: alguns produtos combinam repelente com protetor solar, mas essa mistura nem sempre é a melhor escolha. Isso porque o protetor solar precisa ser reaplicado com mais frequência, o que pode aumentar a exposição ao repelente. A orientação mais segura é usar os produtos separados.

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Repelente com óleo de eucalipto limão pode ser usado?

O óleo de eucalipto limão merece atenção porque existem dois pontos diferentes aqui.

O ativo chamado PMD, ou p-mentano-3,8-diol, é uma forma sintética de um ingrediente presente no óleo de eucalipto limão. Segundo a BVS, repelentes à base de PMD são recomendados por órgãos internacionais e uma preparação de 30% pode proteger contra insetos e carrapatos por cerca de 4 a 6 horas.

Mas isso não significa que qualquer óleo essencial de eucalipto limão caseiro tenha a mesma eficácia. A própria BVS alerta que produtos PMD não devem ser confundidos com formulações de óleos essenciais, que costumam ser menos eficazes por longos períodos e não são aprovados como repelentes.

Então, se a gestante quiser usar um produto com essa proposta, o cuidado é o mesmo: conferir se é um repelente registrado, com ativo indicado no rótulo, e não uma receita caseira.

Repelentes naturais são seguros para gestantes?

Muita gente pensa que, por ser natural, é automaticamente seguro. Mas quando falamos de repelente para gestante, esse cuidado precisa ser ainda maior.

Repelentes naturais à base de citronela, andiroba, óleo de cravo, capim-limão, cedro, gerânio ou hortelã-pimenta não têm a mesma comprovação de eficácia dos repelentes com DEET, icaridina, IR 3535 ou PMD. A BVS informa que esses produtos não possuem comprovação de eficácia nem aprovação da Anvisa até o momento para esse uso.

A Anvisa também afirma que inseticidas naturais à base de citronela, andiroba e óleo de cravo, entre outros, não possuem comprovação de eficácia nem aprovação pela Agência para repelir insetos.

Isso vale para velas, incensos, odorizadores, misturinhas caseiras e produtos vendidos como “naturais”. Eles até podem ter cheiro agradável, mas podem não proteger de verdade contra o Aedes aegypti.

Vela de citronela acesa usada como repelente natural, opção que não substitui o repelente para gestante aprovado pela Anvisa contra o Aedes aegypti.
Vela de citronela usada como repelente natural, opção que não substitui o repelente para gestante aprovado pela Anvisa contra o Aedes aegypti.

Como usar repelente na gravidez do jeito certo?

O repelente para gestante deve ser aplicado sempre conforme o rótulo. Mas algumas orientações gerais ajudam bastante no dia a dia.

  1. Aplique o produto apenas nas áreas expostas do corpo, como braços, pernas, pescoço e pés. Evite passar por baixo da roupa, machucados, cortes ou áreas irritadas.
  2. No rosto, o ideal é não borrifar diretamente. Coloque primeiro nas mãos e espalhe com cuidado, evitando olhos, boca e narinas.
  3. Se você também usa protetor solar, a ordem correta é: primeiro o protetor solar, depois o repelente
  4. Depois da aplicação, lave bem as mãos. Quando não houver mais exposição aos mosquitos, lave a pele com água e sabonete.
  5. E nada de exagerar na quantidade. Mais produto não significa mais proteção. O que protege é escolher um repelente adequado e reaplicar dentro do intervalo indicado no rótulo.

Quantas vezes por dia a gestante pode usar repelente?

A frequência depende do tipo de ativo, da concentração e da orientação do fabricante. Por isso, o rótulo é sempre o melhor guia.

Alguns repelentes duram poucas horas. Outros têm proteção mais longa. Suor, calor, banho, piscina e atrito com a roupa podem reduzir a duração do produto.

Se você está em uma área com muitos mosquitos ou em surto de dengue, vale conversar com seu obstetra para entender qual frequência faz mais sentido para a sua rotina.

Pode usar repelente por cima da roupa?

Sim, alguns repelentes podem ser utilizados também sobre as roupas, desde que essa forma de uso esteja indicada no rótulo.

Mesmo assim, a aplicação principal costuma ser nas áreas de pele expostas. Uma boa estratégia é combinar o repelente com roupas que protejam mais o corpo, como blusas de manga longa, calças leves e vestidos mais fechadinhos, principalmente ao amanhecer e ao fim da tarde.

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Repelente de tomada e spray de ambiente podem ser usados por gestantes?

Sim, repelentes ambientais e inseticidas também podem ser usados em ambientes frequentados por gestantes, desde que estejam registrados na Anvisa e sejam utilizados conforme o rótulo.

Mas aqui o cuidado precisa ser redobrado, porque esses produtos são feitos para o ambiente, não para aplicação direta no corpo.

A Anvisa orienta que a segurança depende da obediência aos cuidados do rótulo e cita, por exemplo, que durante a aplicação algumas embalagens indicam que pessoas e animais não permaneçam no local.

Já repelentes de tomada, espirais e pastilhas devem ficar a pelo menos 2 metros de distância das pessoas e não devem ser usados em locais com pouca ventilação, principalmente se houver pessoas asmáticas ou com alergias respiratórias.

E marcas como Super Repelex, Exposis e OFF?

Muitas gestantes pesquisam por marcas como Super Repelex, Exposis, OFF e outras opções vendidas em farmácias. Mas, mais importante do que olhar apenas a marca, é conferir o princípio ativo e o registro do produto.

Uma mesma marca pode ter versões diferentes, com ativos e concentrações diferentes. Então, antes de comprar, procure no rótulo se o produto é à base de icaridina, DEET, IR 3535 ou outro ativo indicado.

Também verifique se ele pode ser usado por gestantes e por quanto tempo protege. Se a embalagem não deixar isso claro, vale pedir orientação ao farmacêutico ou conversar com seu obstetra.

O que evitar ao escolher repelente na gravidez?

Na hora de escolher o repelente para gestante, evite:

  • produtos sem registro na Anvisa;
  • receitas caseiras;
  • óleos essenciais usados diretamente na pele sem orientação;
  • velas, incensos e odorizadores vendidos como repelentes naturais;
  • produtos sem informação clara de princípio ativo;
  • misturas de repelente com protetor solar, quando você precisa reaplicar o filtro muitas vezes ao dia;
  • aplicar em áreas irritadas, machucadas ou próximas dos olhos.

Também não use vitamina B ou tiamina com a intenção de afastar mosquitos. Não há medicamentos aprovados com a finalidade de repelir insetos e a vitamina B não tem eficácia comprovada como repelente.

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Outras formas de se proteger dos mosquitos na gravidez

O repelente ajuda muito, mas ele funciona melhor quando vem junto com outros cuidados simples.

Mantenha portas e janelas com telas, se possível. Use mosquiteiro em áreas com muitos insetos. Prefira roupas que cubram mais o corpo nos horários de maior circulação de mosquitos. Evite água parada em vasos, baldes, ralos, calhas e potes.

A melhor forma de evitar focos do Aedes aegypti é cuidar do armazenamento de água, do lixo e eliminar recipientes que possam acumular água.

Esse cuidado vale para a casa toda, especialmente em períodos de chuva e calor.

Quando falar com o médico?

Mesmo que o repelente para gestante seja considerado seguro quando usado corretamente, vale conversar com seu obstetra se você:

  • tem alergia ou pele muito sensível;
  • já teve reação a repelentes;
  • está no primeiro trimestre e se sente insegura;
  • mora em região com surto de dengue, zika ou chikungunya;
  • precisa usar repelente muitas vezes ao dia;
  • tem dúvidas sobre qual ativo escolher.

O médico pode orientar qual produto faz mais sentido para a sua rotina e para a região onde você mora.

Repelente para gestante: o que lembrar antes de comprar

Antes de colocar o produto no carrinho, lembre destes pontos:

  1. o repelente seguro para gestantes precisa ter registro na Anvisa;
  2. os ativos mais citados são DEET, icaridina e IR 3535;
  3. o óleo de eucalipto limão só deve ser considerado quando estiver em produto regularizado, com ativo adequado;
  4. repelentes naturais à base de citronela e receitas caseiras não devem ser a principal forma de proteção;
  5. o repelente deve ser aplicado nas áreas expostas da pele e conforme o rótulo;
  6. se usar protetor solar, aplique o protetor primeiro e o repelente depois;
  7. em caso de reação na pele, suspenda o uso e procure orientação médica.

Conclusão

O repelente para gestante é um cuidado importante e pode ser usado com segurança quando o produto é registrado na Anvisa e aplicado do jeito certo. 

Além disso, vale combinar o repelente com outros cuidados, como roupas que protejam mais a pele, telas nas janelas e eliminação de água parada. É aquele cuidado simples, de rotina, mas que traz mais tranquilidade para a mãe e mais proteção para o bebê.

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