Dificuldades na amamentação: causas e o que pode ajudar

Mulher amamentando recém-nascido em casa representando dificuldades na amamentação

A amamentação é um momento muito importante para o bebê e para a mãe, mas também pode trazer dúvidas, inseguranças e alguns desafios, especialmente nos primeiros dias de amamentação.

Dor, fissuras, sensação de baixa produção de leite, bebê com dificuldade para sugar, ingurgitamento mamário e medo de não estar oferecendo a quantidade de leite suficiente são situações mais comuns do que muitas mães imaginam.

Por isso, se você está passando por dificuldades na amamentação, respira fundo: você não está sozinha. Muitas dessas questões podem melhorar com orientação, ajustes na pega correta, acolhimento e uma boa rede de apoio.

Neste conteúdo, vamos conversar sobre as principais causas que podem dificultar a amamentação, o que observar no bebê e quando buscar ajuda profissional.

Quais são as principais dificuldades na amamentação?

As dificuldades na amamentação podem aparecer por diferentes motivos. Algumas estão relacionadas à adaptação da mãe e do bebê, outras têm relação com a pega, com a posição durante a mamada, com a descida do leite ou até com fatores emocionais.

Confira a seguir os problemas mais comuns durante a amamentação e o que pode ajudar em cada caso.

1. Dor ao amamentar e mamilos machucados

Sentir os mamilos mais sensíveis nos dias após o parto pode ser normal devido às mudanças do corpo e ao início da amamentação. Mas dor intensa, fissuras, sangramento ou machucados persistentes merecem atenção.

Na maioria das vezes, a dor aparece quando o bebê não consegue fazer a pega correta. Isso acontece quando ele abocanha apenas o mamilo, em vez de pegar também boa parte da aréola.

Quando a pega está inadequada, a mamada pode machucar a mãe e também atrapalhar a saída do leite materno.

O que pode ajudar?

Observe se o bebê está com a boca bem aberta, com o queixo encostado na mama e com o corpo virado para o seu corpo. Mãe e bebê devem estar confortáveis, sem que o bebê precise virar o pescoço para mamar.

Também pode ajudar variar as posições, tirar o bebê do peito com cuidado quando for interromper a mamada e evitar sabonete, álcool, cremes caseiros ou qualquer outra substância nos mamilos sem orientação profissional.

Se houver fissuras, dor forte ou piora ao longo dos dias, procure ajuda em uma Unidade Básica de Saúde, Banco de Leite Humano, consultora de amamentação ou maternidade.

👉 Leia também: Rosquinha de amamentação: para que serve, como usar e quando vale a pena

2. Pega incorreta

A pega correta é uma das partes mais importantes da amamentação. Quando o bebê pega bem o peito, ele consegue sugar melhor, esvaziar a mama e receber o leite com mais eficiência.

Já a pega incorreta pode causar dor, fissuras, mamadas longas e pouco efetivas, irritação do bebê e sensação de pouco leite.

Alguns sinais de que a pega pode estar inadequada são:

  1. Dor forte durante toda a mamada.
  2. Mamilo achatado ou muito marcado depois que o bebê solta o peito.
  3. Estalos durante a sucção.
  4. Bebê que larga o peito muitas vezes.
  5. Mamadas muito demoradas, mas com bebê ainda insatisfeito.
  6. Machucados frequentes nos mamilos.

Como melhorar a pega?

Aproxime o bebê da mama, e não a mama do bebê. O corpinho dele deve estar alinhado, barriga com barriga, com o rosto de frente para o peito.

Espere o bebê abrir bem a boca e traga-o para perto. O ideal é que ele abocanhe o mamilo e parte da aréola, principalmente a parte inferior.

Se a mama estiver muito cheia, retire um pouco de leite antes da mamada para amolecer a aréola. Isso pode facilitar a pega, especialmente na primeira semana.

3. Demora na descida do leite

A descida do leite, também chamada de apojadura, pode demorar um pouco mais para acontecer em algumas mulheres. Isso pode gerar muita ansiedade, principalmente quando o bebê chora ou parece querer mamar com frequência.

Nos primeiros dias, o bebê recebe o colostro, um leite mais concentrado, rico em nutrientes e muito importante para a imunidade. Mesmo em pequena quantidade, ele tem grande valor para o recém-nascido.

A demora na descida do leite pode acontecer por diferentes fatores, como parto cesárea, parto prematuro, pouca estimulação da mama ou dificuldade inicial de sucção do bebê.

O que pode ajudar?

O principal estímulo para a produção de leite é a sucção do bebê. Por isso, colocar o bebê no peito com frequência, em livre demanda, costuma ajudar bastante.

Também pode ser necessário fazer extração manual ou com bomba, sempre com orientação, para estimular a mama e oferecer o leite ao bebê, se ele ainda estiver com dificuldade para sugar.

Nesse momento, a rede de apoio faz muita diferença. Ter alguém para ajudar com a casa, alimentação, descanso e acolhimento emocional pode deixar a mãe mais segura e tranquila.

4. Bebê com dificuldade para sugar

Alguns bebês apresentam dificuldade para sugar nos primeiros dias. Isso pode acontecer porque ainda estão aprendendo, porque nasceram prematuros, porque tiveram um parto mais difícil, porque a mama está muito cheia ou por alterações como língua presa.

O uso de bicos, mamadeiras, chupetas e bicos de silicone também pode interferir no aprendizado da sucção, especialmente quando a amamentação ainda está sendo estabelecida.

O que observar?

Observe se o bebê consegue abocanhar a aréola, manter a pega e sugar de forma coordenada. Também vale acompanhar as fraldas, o comportamento após as mamadas e se ele está ganhando peso conforme o esperado pelo pediatra.

Se houver suspeita de dificuldade de sucção, língua presa ou perda de peso, procure ajuda profissional. Quanto antes a causa for identificada, mais fácil costuma ser ajustar a amamentação.

5. Mamilo plano ou invertido

Ter mamilo plano ou invertido pode dificultar a amamentação, mas isso não significa que a mãe não conseguirá amamentar.

O bebê mama a aréola, e não apenas o mamilo. Por isso, com ajustes de posição, orientação e paciência, muitas mães conseguem amamentar mesmo com esse tipo de anatomia.

O que pode ajudar?

Antes da mamada, massageie a mama e retire um pouco de leite para deixar a aréola mais macia. Testar posições diferentes também pode ajudar o bebê a abocanhar melhor.

Se necessário, uma consultora de amamentação ou profissional de saúde pode avaliar a pega e indicar a melhor forma de conduzir as mamadas.

6. Ingurgitamento mamário ou leite empedrado

O ingurgitamento mamário, conhecido como leite empedrado, acontece quando a mama fica muito cheia, endurecida, dolorida e, às vezes, com alguns caroços.

Ele costuma aparecer nos primeiros dias de amamentação, principalmente quando a produção aumenta e o bebê ainda não consegue mamar tudo o que a mama produz.

Em alguns casos, a pele fica esticada, brilhante e avermelhada. Também pode haver febre e mal-estar.

O que pode ajudar?

O primeiro cuidado é deixar o bebê mamar em livre demanda, sem horários muito rígidos e sem pressa.

Antes da mamada, massagear a mama com movimentos suaves e retirar um pouco de leite pode amolecer a aréola e facilitar a pega. Depois, o bebê consegue sugar melhor e ajudar no esvaziamento.

Também é importante usar um sutiã confortável, que dê sustentação sem apertar. Um sutiã muito justo pode pressionar a mama e favorecer outros problemas, como ductos bloqueados.

👉 Como escolher o sutiã de amamentação perfeito

7. Ducto bloqueado

Os ductos lactíferos são os canais por onde o leite passa dentro da mama. Quando algum deles fica bloqueado, pode surgir uma região dolorida, endurecida, quente e com vermelhidão.

Isso pode acontecer quando a mama não é bem esvaziada, quando as mamadas ficam muito espaçadas, quando o bebê não consegue sugar de forma eficiente ou quando há pressão local, como sutiã apertado.

O que fazer?

Amamentar com frequência pode ajudar. Também vale variar as posições, massagear a área com cuidado e oferecer primeiro a mama afetada, se isso for confortável para a mãe.

Se o incômodo persistir, piorar ou vier acompanhado de febre, procure atendimento. Um ducto bloqueado pode evoluir para mastite.

8. Mastite

A mastite é uma inflamação da mama, que pode ou não evoluir para infecção. Ela pode acontecer quando o leite fica parado por muito tempo ou quando há rachaduras no mamilo, que podem facilitar a entrada de bactérias.

Os sintomas mais comuns são dor, vermelhidão, calor local, inchaço, febre, calafrios e mal-estar.

Pode continuar amamentando com mastite?

Em muitos casos, a amamentação pode continuar durante o tratamento. Na verdade, esvaziar a mama costuma ajudar na recuperação. Mas é essencial procurar atendimento de saúde para receber a orientação adequada.

Se você suspeita de mastite, procure ajuda rapidamente. Esse é um daqueles casos em que tentar resolver sozinha pode atrasar o cuidado necessário.

9. Sensação de pouco leite

A sensação de baixa produção de leite é uma das principais causas de insegurança. Muitas mães sentem que o leite está pouco porque o bebê quer mamar muitas vezes, chora ou passa mais tempo no peito.

Mas nem sempre isso significa que existe baixa produção de leite. Bebês pequenos mamam bastante mesmo, e alguns períodos de maior demanda são esperados.

O mais importante é observar sinais mais concretos, como fraldas molhadas, comportamento geral e ganho de peso.

Como saber se o bebê está recebendo leite suficiente?

Um bebê que mama bem costuma molhar fraldas ao longo do dia, ficar mais relaxado após algumas mamadas e seguir crescendo e ganhando peso conforme a avaliação do pediatra.

A melhor forma de saber se o leite materno está sendo suficiente é acompanhar o desenvolvimento do bebê com um profissional de saúde.

👉 Leia também: Quantas fraldas o bebê usa por dia, por mês e no primeiro ano

O que pode aumentar a produção de leite?

Algumas medidas podem ajudar quando existe sensação de pouco leite:

  1. Melhorar a pega.
  2. Amamentar em livre demanda.
  3. Aumentar a frequência das mamadas, inclusive à noite.
  4. Oferecer as duas mamas, quando o bebê quiser.
  5. Massagear a mama durante a mamada.
  6. Evitar mamadeiras, chupetas e bicos de silicone sem orientação.
  7. Beber água conforme a sede.
  8. Se alimentar bem.
  9. Descansar sempre que possível.

Além disso, a mãe precisa se sentir segura. Estresse, exaustão, medo e falta de apoio podem tornar a amamentação mais difícil.

10. Hiperlactação ou excesso de leite

A hiperlactação acontece quando a mãe produz mais leite do que o bebê consegue mamar. Apesar de parecer algo positivo à primeira vista, também pode causar dificuldades na amamentação.

O bebê pode engasgar, se irritar, soltar o peito, apresentar gases, regurgitar ou ficar desconfortável durante a mamada.

O que pode ajudar?

Amamentar em uma posição mais reclinada pode ajudar o bebê a lidar melhor com o fluxo. Em alguns casos, oferecer apenas uma mama por mamada também pode ser indicado, mas o ideal é fazer isso com orientação.

Evite retirar leite em excesso sem necessidade, porque isso pode estimular ainda mais a produção.

Se houver produção excedente e a mãe desejar, também é possível buscar informações sobre doação de leite em um Banco de Leite Humano.

👉 Leia também: Como armazenar leite materno

11. Cansaço, insegurança e falta de rede de apoio

As dificuldades na amamentação não são apenas físicas. O emocional da mãe pesa muito.

Medo de não conseguir, palpites demais, privação de sono, dor, cobrança, solidão e falta de ajuda prática podem tornar esse período mais difícil.

Por isso, a rede de apoio é tão importante. E rede de apoio não é só alguém dizendo “vai dar certo”. É alguém que prepara uma comida, segura o bebê para a mãe tomar banho, cuida da casa, acompanha uma consulta, escuta sem julgar e ajuda a buscar orientação quando necessário.

Se você sente que está sobrecarregada, fale com alguém de confiança. E se perceber tristeza intensa, ansiedade constante, sensação de desespero ou vontade de desistir de tudo, procure ajuda profissional. O puerpério precisa de cuidado, acolhimento e presença.

👉 Leia também: Puerpério: guia completo e como apoiar as mães nesse período

Mãe amamentando bebê em poltrona confortável durante dificuldades na amamentação

O que pode dificultar a amamentação?

Alguns fatores podem tornar o processo mais desafiador, principalmente quando aparecem juntos. Entre eles:

  1. Pega inadequada.
  2. Mamadas muito espaçadas.
  3. Dor ou fissuras.
  4. Bebê com dificuldade de sucção.
  5. Língua presa.
  6. Mama muito cheia.
  7. Uso de bicos, chupetas e mamadeiras no início.
  8. Falta de orientação na maternidade.
  9. Cansaço extremo.
  10. Falta de apoio em casa.
  11. Medo de ter pouco leite.
  12. Retorno ao trabalho sem suporte adequado.

A boa notícia é que muitos desses pontos podem ser ajustados com informação de qualidade e ajuda certa.

👉 Leia também: Amamentar em público: o que diz a lei + dicas

Quando procurar ajuda profissional?

Procure ajuda profissional se você perceber qualquer uma destas situações:

  1. Dor intensa durante a mamada.
  2. Fissuras, sangramento ou machucados nos mamilos.
  3. Febre, calafrios ou mal-estar.
  4. Mama muito vermelha, quente ou dolorida.
  5. Bebê com dificuldade para sugar.
  6. Bebê sonolento demais, sem força para mamar.
  7. Poucas fraldas molhadas.
  8. Bebê que não está ganhando peso.
  9. Sensação persistente de baixa produção de leite.
  10. Qualquer outra situação que esteja trazendo insegurança.

A ajuda pode vir de Unidades Básicas de Saúde, Bancos de Leite Humano, maternidades, pediatras, enfermeiras obstetras e consultoras de amamentação.

👉 Leia também: Acessórios de amamentação: o que vale a pena ter em casa

Dúvidas comuns sobre dificuldades na amamentação

É normal sentir dor ao amamentar nos primeiros dias?

Pode haver sensibilidade nos primeiros dias, mas dor forte, fissuras ou dor que continua após a primeira semana indicam que algo precisa ser ajustado. A causa mais comum é a pega incorreta.

Como saber se a pega está correta?

Na pega correta, o bebê abocanha o mamilo e parte da aréola, fica com o corpo virado para a mãe, queixo próximo à mama e boca bem aberta. A mamada não deve causar dor intensa.

Meu bebê quer mamar toda hora. Isso significa pouco leite?

Nem sempre. Recém-nascidos mamam com frequência, e isso ajuda a estimular a produção. Para avaliar se a quantidade de leite está adequada, observe fraldas molhadas, comportamento e ganho de peso com o pediatra.

Leite empedrado pode virar mastite?

Sim. Quando a mama não é bem esvaziada, o leite parado pode favorecer dor, inflamação e mastite. Por isso, é importante amamentar com frequência, massagear com cuidado e buscar orientação se houver piora.

Posso usar chupeta ou mamadeira nos primeiros dias?

O ideal é evitar o uso de bicos no início, salvo orientação profissional. Eles podem interferir na pega, reduzir a sucção no peito e atrapalhar o estímulo da produção de leite.

Quando devo ir ao Banco de Leite?

Você pode procurar um Banco de Leite Humano sempre que tiver dúvidas, dor, fissuras, dificuldade de pega, suspeita de pouco leite, leite empedrado ou insegurança para amamentar. O atendimento costuma ser gratuito.

Amamentar também pede conforto para a mãe

Além da orientação e da rede de apoio, pequenos cuidados com a rotina também ajudam. Ter roupas confortáveis, fáceis de abrir e pensadas para a amamentação pode deixar as mamadas mais práticas, especialmente fora de casa ou nas madrugadas.

Na Agora Sou Mãe, você encontra peças feitas para acompanhar a gestação, o puerpério, a amamentação e muito além, com conforto para esse momento tão intenso da maternidade.

Para deixar essa fase mais leve, aproveite o cupom BLOGASM e garanta 10% OFF no site todo.

👉 Conheça as roupas de amamentação da Agora Sou Mãe e escolha peças que facilitem sua rotina com o bebê

Compartilhe

Posts relacionados

Veja mais do nosso blog!

Pin It on Pinterest

Compartilhe!