Pré-natal: quando começar, consultas, exames e cuidados em cada fase

Gestante em sua consulta durante o pré-natal.

Descobrir uma gravidez costuma trazer uma mistura de alegria, ansiedade e muitas dúvidas. Quando marcar a primeira consulta? Quais exames serão feitos? Quantas vezes será preciso ir ao médico?

É justamente para acompanhar todas essas mudanças que existe o pré-natal.

Esse cuidado começa nas primeiras semanas de gravidez e continua até o parto e o pós-parto. Durante o acompanhamento, a equipe observa a saúde da gestante, acompanha o desenvolvimento do bebê, solicita exames, atualiza as vacinas e orienta sobre alimentação, atividade física, parto e amamentação.

Neste conteúdo, você vai entender como funciona o pré-natal, quando iniciar, quantas consultas fazer, quais exames podem ser solicitados e em quais situações é importante procurar atendimento rapidamente.

Este artigo tem caráter informativo e não substitui as consultas e orientações da equipe responsável pelo seu pré-natal.

O que é pré-natal?

O pré-natal é o acompanhamento de saúde realizado durante a gravidez para cuidar da gestante e do bebê. Ele inclui consultas regulares, exames laboratoriais e de imagem, vacinação, avaliação da pressão arterial, acompanhamento do ganho de peso e orientações para cada fase da gestação.

De acordo com o Ministério da Saúde, o objetivo é favorecer o desenvolvimento saudável da gestação, diminuir riscos no parto e identificar precocemente situações que precisem de atenção.

Além dos aspectos físicos, um bom acompanhamento também considera a saúde emocional, a realidade familiar e as condições sociais da gestante.

Medos, tristeza, ansiedade, dificuldades financeiras, falta de apoio e situações de violência também podem e devem ser conversados durante as consultas.

Por que o pré-natal é tão importante?

Mesmo quando a gravidez parece estar evoluindo tranquilamente, algumas alterações podem começar sem sintomas evidentes.

Pressão alta, diabetes gestacional, anemia, infecção urinária e algumas infecções sexualmente transmissíveis são exemplos de condições que podem ser identificadas durante o pré-natal.

O acompanhamento ajuda a:

  • confirmar e calcular a idade gestacional;
  • estimar a data provável do parto;
  • acompanhar o crescimento e os batimentos cardíacos do bebê;
  • verificar a pressão arterial e o ganho de peso;
  • identificar fatores de risco;
  • diagnosticar e tratar possíveis alterações;
  • atualizar as vacinas;
  • orientar sobre alimentação, exercícios e suplementação;
  • preparar a gestante para o parto e a amamentação;
  • oferecer apoio para a saúde emocional;
  • definir a maternidade de referência;
  • conversar sobre o plano de parto e o pós-parto.

Cada consulta também é uma oportunidade para contar como você está se sentindo e esclarecer aquelas dúvidas que aparecem entre uma semana e outra.

👉 Leia também: Alimentação para gestante: o que priorizar em cada trimestre da gravidez 

Quando começar o pré-natal?

O ideal é começar o pré-natal assim que houver suspeita ou confirmação da gravidez, preferencialmente até a 12ª semana de gestação. Essa recomendação aparece na Caderneta Brasileira da Gestante, publicada pelo Ministério da Saúde.

Depois do teste positivo, você pode procurar um obstetra ou ir até a Unidade Básica de Saúde mais próxima. Não é preciso esperar a barriga aparecer nem realizar um ultrassom por conta própria para buscar atendimento.

Começar cedo permite avaliar o histórico de saúde, calcular a idade gestacional, solicitar os primeiros exames e receber orientações importantes para o primeiro trimestre de gravidez.

Se você descobriu a gravidez mais tarde, não deixe de procurar atendimento por isso. O pré-natal pode e deve ser iniciado em qualquer momento da gestação.

Quantas consultas de pré-natal a gestante deve fazer?

A edição atual da Caderneta Brasileira da Gestante recomenda no mínimo sete consultas de pré-natal, intercaladas entre médico e enfermeiro, além de pelo menos uma consulta odontológica.

A frequência mínima indicada é:

Fase da gestaçãoFrequência das consultas
Até 28 semanasConsultas mensais
Da 28ª à 36ª semanaConsultas quinzenais
A partir da 36ª semanaConsultas semanais
Após o partoPelo menos duas consultas puerperais

Esse calendário pode mudar conforme a saúde da gestante, o desenvolvimento do bebê e a avaliação da equipe. Algumas mulheres precisam de consultas mais frequentes desde o começo.

Também é importante saber que não existe alta do pré-natal antes do nascimento. Se a data provável do parto chegar e o bebê ainda não tiver nascido, o acompanhamento deve continuar de acordo com a orientação profissional.

A Organização Mundial da Saúde recomenda um modelo com pelo menos oito contatos ao longo da gravidez para melhorar a experiência de cuidado e reduzir riscos perinatais, como explica a diretriz de atenção pré-natal da OMS.

Como é a primeira consulta de pré-natal?

A primeira consulta costuma ser mais longa porque a equipe precisa conhecer sua saúde e seu histórico. É comum responder perguntas sobre:

  • data da última menstruação;
  • gestações, partos ou perdas anteriores;
  • doenças existentes;
  • medicamentos e suplementos utilizados;
  • alergias;
  • cirurgias anteriores;
  • histórico familiar;
  • hábitos alimentares;
  • consumo de álcool, cigarro ou outras substâncias;
  • saúde emocional;
  • rotina de trabalho;
  • rede de apoio;
  • situação vacinal.

Também podem ser medidos peso, altura e pressão arterial. A equipe calcula a idade gestacional e a data provável do parto, solicita os primeiros exames e orienta sobre vitaminas ou suplementos quando houver indicação.

Essa é uma boa hora para contar tudo o que você usa, inclusive chás, medicamentos, vitaminas, produtos naturais e suplementos. Nenhum deles deve ser iniciado ou interrompido sem orientação.

👉 Leia também: Gestante pode tomar creatina? Guia para grávidas 

Gestante em sua primeira consulta de pré-natal conversando com uma médica

Quais são os exames do pré-natal?

Os exames variam de acordo com o trimestre, o histórico de saúde, os resultados anteriores e os protocolos do serviço. Por isso, duas gestantes podem receber solicitações diferentes sem que uma delas esteja sendo menos cuidada.

Segundo a atual Caderneta Brasileira da Gestante, estes são alguns dos exames que podem fazer parte do acompanhamento.

Exames do primeiro trimestre ou da primeira consulta

Entre os exames iniciais estão:

  • hemograma;
  • tipagem sanguínea e fator Rh;
  • Coombs indireto para gestantes com Rh negativo;
  • eletroforese de hemoglobina;
  • glicemia em jejum;
  • teste para sífilis;
  • teste para HIV;
  • teste para hepatite B;
  • teste para hepatite C;
  • sorologia para toxoplasmose;
  • teste para HTLV;
  • exame de urina;
  • urocultura com antibiograma;
  • testes para doença de Chagas ou malária, quando indicados;
  • ultrassonografia obstétrica, idealmente entre 7 e 12 semanas, conforme avaliação profissional.

Esses exames ajudam a identificar anemia, alterações na glicose, incompatibilidade sanguínea, infecção urinária e doenças que podem ser transmitidas para o bebê.

Exames do segundo trimestre

No segundo trimestre da gravidez, podem ser solicitados:

  • teste oral de tolerância à glicose, preferencialmente entre 24 e 28 semanas;
  • repetição do Coombs indireto para gestantes com Rh negativo, quando indicado;
  • nova sorologia para toxoplasmose para gestantes suscetíveis;
  • testes relacionados a doenças regionais;
  • ultrassonografia morfológica ou outros exames de imagem, conforme indicação.

O teste de tolerância à glicose é importante para investigar o diabetes gestacional. Já o ultrassom morfológico permite avaliar diferentes estruturas do bebê, mas a necessidade e o melhor período devem ser definidos pelo obstetra.

Exames do terceiro trimestre

No terceiro trimestre de gravidez, podem aparecer:

  • hemograma;
  • glicemia em jejum;
  • exame de urina;
  • urocultura;
  • repetição dos testes para sífilis e HIV;
  • Coombs indireto, quando indicado;
  • nova sorologia para toxoplasmose em gestantes suscetíveis;
  • outros exames de sangue ou de imagem conforme a evolução da gravidez.

Dependendo do histórico e do protocolo adotado, o profissional também pode solicitar pesquisa para estreptococo do grupo B, ultrassonografia com Doppler, cardiotocografia ou outros exames.

Quais vacinas são indicadas durante o pré-natal?

A vacinação faz parte do pré-natal porque ajuda a proteger a mãe e permite que anticorpos sejam transferidos para o bebê.

De acordo com as recomendações atuais do Ministério da Saúde, podem ser indicadas:

  • hepatite B: para iniciar ou completar o esquema quando necessário;
  • dTpa: uma dose a partir da 20ª semana em cada gestação;
  • dT: utilizada para completar o esquema contra difteria e tétano, quando necessário;
  • influenza: uma dose por temporada, em qualquer fase da gravidez;
  • covid-19: uma dose a cada gestação, respeitando o intervalo indicado desde a última dose;
  • vacina contra o VSR: uma dose a partir da 28ª semana em cada gestação, para ajudar a proteger o bebê contra bronquiolite e pneumonia nos primeiros meses.

Vacinas como febre amarela e raiva são avaliadas em situações específicas. A equipe deve verificar a carteira de vacinação e orientar quais doses são adequadas para cada gestante.

Não tome nem deixe de tomar uma vacina por conta própria. Algumas vacinas não são recomendadas durante a gravidez e outras são especialmente importantes nessa fase.

Existe pré-natal odontológico?

Sim. A avaliação da boca também faz parte dos cuidados com a gestante. O Ministério da Saúde recomenda pelo menos uma consulta odontológica durante a gravidez.

Alterações hormonais podem favorecer sangramento gengival, inflamação e outros problemas bucais. Além disso, dor de dente e infecções precisam ser tratadas com segurança.

A cartilha de saúde bucal da gestante esclarece que o atendimento odontológico pode ser realizado durante a gravidez. Basta avisar ao dentista que está gestante e informar quais medicamentos utiliza.

Como funciona o pré-natal pelo SUS?

Para iniciar o pré-natal pelo SUS, procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima da sua residência. A Atenção Primária é a principal porta de entrada para esse acompanhamento.

Na unidade, a gestante pode receber:

  • consultas com médico e enfermeiro;
  • caderneta da gestante;
  • solicitação e acompanhamento de exames;
  • testes rápidos;
  • vacinação;
  • consulta odontológica;
  • orientações sobre alimentação, parto e amamentação;
  • encaminhamento ao pré-natal de alto risco, quando necessário;
  • indicação da maternidade de referência;
  • acompanhamento depois do parto.

A gestante também tem direito de receber explicações claras sobre os resultados e participar das decisões sobre o próprio cuidado.

Durante o pré-natal, ela deve ser informada sobre a maternidade onde será atendida. O Ministério da Saúde explica que a gestante tem direito de conhecer e se vincular à maternidade de referência, inclusive para saber onde procurar ajuda em uma urgência.

O que é pré-natal de alto risco?

O pré-natal de alto risco é indicado quando existe alguma condição materna, fetal ou relacionada à gestação que exige acompanhamento mais próximo e especializado.

Podem precisar desse cuidado gestantes com:

  • hipertensão;
  • diabetes;
  • doenças cardíacas ou renais;
  • doenças autoimunes;
  • gestação de gêmeos ou múltiplos;
  • histórico de parto prematuro;
  • alterações na placenta;
  • restrição de crescimento do bebê;
  • complicações em gestações anteriores;
  • outras condições identificadas pela equipe.

Ser encaminhada ao alto risco não significa que algo ruim necessariamente acontecerá. Significa que a gravidez precisa de atenção adicional, mais consultas ou exames específicos.

Em muitos casos, o cuidado é compartilhado entre a UBS e o serviço especializado. Por isso, a gestante deve continuar seguindo as orientações das duas equipes.

O parceiro ou acompanhante pode participar?

Sim. O parceiro, a parceira ou outra pessoa de confiança pode acompanhar consultas e exames, conforme as regras do serviço e a vontade da gestante.

O Ministério da Saúde também incentiva o pré-natal do parceiro, que pode incluir testes para HIV, sífilis e hepatites, atualização das vacinas e orientações sobre participação na gravidez, no parto e nos cuidados com o bebê.

Essa presença pode ajudar a dividir informações, organizar a rotina e fortalecer a rede de apoio para o pós-parto. Mas a gestante continua tendo direito à privacidade e pode pedir para conversar sozinha com a equipe sempre que desejar.

👉 Leia também: Mala maternidade: lista completa e atualizada para não esquecer nada 

Quais perguntas fazer nas consultas?

Com tantas informações novas, é normal esquecer o que queria perguntar. Uma dica simples é manter uma lista no celular ou dentro da caderneta.

Você pode perguntar:

  • Minha gestação é de risco habitual ou alto risco?
  • Minha pressão e meu ganho de peso estão adequados?
  • Para que serve cada exame solicitado?
  • Preciso tomar algum suplemento?
  • Quais atividades físicas posso praticar?
  • Quais alimentos devo evitar?
  • Posso continuar usando meus medicamentos?
  • Quais vacinas preciso tomar?
  • Qual é minha maternidade de referência?
  • Quais sintomas exigem atendimento imediato?
  • Quando devo começar a observar os movimentos do bebê?
  • Quando posso preparar meu plano de parto?
  • Como me preparar para a amamentação?

Nenhuma dúvida é pequena quando envolve a sua saúde e a do bebê.

Checklist para manter o pré-natal organizado

Algumas atitudes simples ajudam a acompanhar melhor a gravidez:

  • marque a próxima consulta antes de sair do atendimento;
  • anote os horários no celular;
  • guarde exames e receitas em uma pasta;
  • leve a caderneta da gestante a todos os atendimentos;
  • anote sintomas e dúvidas;
  • retorne com os resultados dos exames;
  • mantenha a carteira de vacinação atualizada;
  • informe qualquer medicamento, chá ou suplemento utilizado;
  • saiba qual é a sua maternidade de referência;
  • combine quem poderá acompanhar você em consultas e urgências;
  • organize aos poucos a rotina para a chegada do bebê.

👉 Se quiser acompanhar as mudanças de cada semana, consulte também o nosso calendário da gestante.

Um cuidado que acompanha mãe e bebê

O pré-natal ajuda a tornar a gravidez mais segura, informada e acolhedora. Ele permite acompanhar o crescimento do bebê, cuidar da saúde da gestante e agir cedo quando alguma alteração aparece.

Mais do que cumprir um calendário, aproveite as consultas para falar sobre sintomas, emoções, medos e expectativas. Leve suas perguntas, peça explicações e participe das decisões sobre o seu cuidado.

E, enquanto prepara a chegada do bebê, você pode escolher roupas que acompanhem as mudanças do corpo com mais conforto. 

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Perguntas frequentes sobre pré-natal

O pré-natal começa com quantas semanas?

O ideal é iniciar o pré-natal assim que a gravidez for descoberta ou houver suspeita, preferencialmente até a 12ª semana.

Quantas consultas de pré-natal são necessárias?

A recomendação atual do Ministério da Saúde é de no mínimo sete consultas, além de pelo menos uma consulta odontológica. A frequência pode ser maior conforme a evolução da gravidez.

Posso fazer pré-natal apenas com enfermeiro?

Na Atenção Primária, o acompanhamento de uma gestação de risco habitual pode ser realizado por enfermeiros e médicos, geralmente de forma intercalada. Se houver alguma condição que exija cuidado especializado, a gestante será encaminhada.

Preciso fazer pré-natal mesmo me sentindo bem?

Sim. Algumas alterações da gravidez podem começar sem sintomas. As consultas e os exames ajudam a identificá-las precocemente.

O pré-natal pelo SUS é gratuito?

Sim. O SUS oferece consultas, exames, testes rápidos, vacinas, acompanhamento odontológico e encaminhamento para serviços especializados quando necessário.

Toda gestante precisa fazer pré-natal de alto risco?

Não. O acompanhamento de alto risco é indicado quando a gestante ou o bebê apresentam condições que exigem cuidados mais próximos. A classificação pode mudar durante a gravidez.

Quantos ultrassons são feitos no pré-natal?

Não existe um número único para todas as gestantes. Os ultrassons são solicitados conforme a idade gestacional, o histórico, os protocolos do serviço e a avaliação profissional.

O que acontece se eu perder uma consulta?

Entre em contato com a UBS ou com o consultório e remarque o quanto antes. Não espere a data da consulta seguinte para retomar o acompanhamento.

O pré-natal termina quando o bebê nasce?

O cuidado continua no pós-parto. A orientação atual é realizar pelo menos duas consultas puerperais, uma na primeira semana após a saída da maternidade e outra por volta de 30 dias depois do parto.

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