Ou tudo ou nada! Tem problema ser assim?
Você também é daquelas que prefere nem começar algo que sabe que não vai terminar logo?
“Ah, se não vou terminar tudo, eu nem começo. Tenho horror a coisa feita pela metade.”
E assim acumulam-se milhares de fotos sem serventia no meu celular, gavetas e prateleiras bagunçadas, pilhas de roupas, etc.
“Afinal, se não vou conseguir arrumar todo o armário ou perder uma tarde toda apagando fotos, prefiro esperar quando tiver tempo pra isso! Esse negócio de grão em grão a galinha enche o papo não cola aqui, não.”
Mesmo com a natureza desorganizada, bagunça é algo que me deixa extremamente irritada.
Não consigo trabalhar e pensar direito no meio da bagunça, mas ela sempre aparece e me tira do sério.
Daí baixa a Maria e lá vai a louca perder maior tempão apagando incêndio.
Era sempre assim. Inclusive os termos entre aspas eram as minhas falas.
Nunca tinha visto como um grande defeito essa minha mania de “tudo ou nada” – que aliás funciona(va) pra quase tudo na minha vida.
Até este post no blog, por exemplo, sabia que iria terminá-lo numa só sentada.
Até entender na terapia o quanto isso influencia em vários aspectos que me incomodam sobre a minha personalidade.
A minha dificuldade não é exatamente em organizar, mas sim em manter as coisas organizadas. O negócio é não deixar acumular…
Essa forma dicotômica de pensar (tudo ou nada!) ensina nossa mente a agir assim diante dos problemas, além de criar uma aversão às atividades que a gente costuma acumular, e por isso acaba acumulando mais e mais.
É quase um efeito bola de neve. Isso interfere diretamente nas ações de longo prazo, como por exemplo, emagrecer.
Ou então uma atividade complexa, como organizar toda a casa para o ano que vem.
Sem falar que, com a maternidade é quase impossível fazer qualquer coisa sem interrupções, né?! Socorro.
Mas como melhorar?
Eu sou testemunha de que é possível melhorar, e muito. Ao longo desse ano mudei pequenas atitudes que fizeram diferença.
A organização da minha casa foi o maior exemplo. Claro que chega nessa época do ano e as coisas estão mais bagunçadinhas.
Mas ao começar a limpa pro ano que vem (ritual que eu faço antes da virada de cada ano), percebi que a coisa tá bem mais suave do que ano passado.
Eu consegui melhorar com um exercício proposto em terapia.
O desafio era pegar uma atividade que eu tinha o hábito de procrastinar e realizá-la em doses homeopáticas.
Escolhi arrumar meu guarda-roupas dividindo por setores por dia.
Nos primeiros dias fiquei me coçando pra não burlar a regra, queria arrumar tudo de uma vez.
Depois de 10 dias ele estava arrumadinho, e eu perdi menos de 10 minutos cada vez que eu mexia nele.
Além de não sentir, inconscientemente comecei a não deixar acumular, porque aquele sentimento de abuso foi se quebrando aos poucos.
Esse exercício é uma forma de “burlar” a nossa mente, ensinando a ela que algumas coisas são melhores quando feitas aos poucos, sem precisar deixar pra depois.
E assim a coisa vai se expandindo para outros níveis da vida.. hehe #agorasoufilósofa.

Claro que ainda tenho muito desse “tudo ou nada” em mim, e sei que muito é da minha personalidade mesmo.
Mas conseguir mudar e arrumar pequenas coisinhas não fez nenhum mal, muito pelo contrário, foi uma baita ajuda!
E esse foi o papo cabeça de hoje! Pode não servir pra todo mundo, mas foi tão bom pra mim que quis compartilhar com vocês nesse embalo de ano novo vida nova!
E vale lembrar que a verdadeira mudança acontece quando é de dentro pra fora!
E normalmente não é do dia pra noite. (Outro desafio pra quem quer as coisas sempre pra ontem! ui.)
Beijão e ótima semana!
