Primeira infância: o que é, idade, importância e como estimular

Mãe e criança sorrindo em um abraço carinhoso na primeira infância.

A primeira infância é o período que vai do nascimento até os 6 anos completos de idade. Nessa fase, a criança desenvolve habilidades fundamentais, como andar, falar, brincar, aprender, reconhecer emoções e construir vínculos com as pessoas ao seu redor.

Como o cérebro está formando muitas conexões, as experiências vividas nesses primeiros anos ajudam a construir as bases do desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social. 

Isso não significa encher a rotina de atividades. Brincar, conversar, receber carinho, dormir bem, movimentar o corpo e se sentir segura também são formas de aprender.

O que é primeira infância?

Segundo o Marco Legal da Primeira Infância, considera-se primeira infância o período que abrange os primeiros 6 anos completos ou os 72 meses de vida da criança.

Algumas instituições, como o UNICEF, também consideram a gestação ao falar sobre desenvolvimento na primeira infância. Isso acontece porque a alimentação, a saúde física e emocional da gestante, o acompanhamento pré-natal e as condições do ambiente já podem influenciar o desenvolvimento do bebê.

Para fins legais no Brasil, porém, a contagem começa no nascimento e vai até a criança completar 6 anos.

Por que a primeira infância é tão importante?

Durante a primeira infância, o cérebro apresenta uma grande capacidade de criar e reorganizar conexões. 

Nos primeiros mil dias, período que vai da gestação até aproximadamente os 2 anos, essa formação acontece de maneira especialmente intensa.

É também nessa fase que a criança começa a construir habilidades relacionadas a:

  • linguagem e comunicação;
  • coordenação motora;
  • atenção e memória;
  • expressão das emoções;
  • convivência com outras pessoas;
  • autonomia;
  • criatividade;
  • resolução de pequenos problemas.

De acordo com o Ministério da Saúde, as experiências positivas, os estímulos adequados e os vínculos estabelecidos com mães, pais e cuidadores aumentam as oportunidades de a criança desenvolver seu potencial.

Ao mesmo tempo, cada criança tem seu ritmo. Os marcos do desenvolvimento funcionam como referências para o acompanhamento, e não como uma competição para descobrir qual bebê sentou, falou ou andou primeiro.

Quais são as fases da primeira infância?

A primeira infância pode ser organizada em três períodos para facilitar a compreensão das principais mudanças. 

As idades são aproximadas, pois o desenvolvimento não acontece exatamente da mesma forma para todas as crianças.

IdadePrincipais descobertasComo a família pode apoiar
Do nascimento a 1 anoFormação de vínculos, controle do corpo, exploração pelos sentidos, balbucios, gestos e primeiros movimentosOferecer colo, conversar, cantar, brincar no chão e responder aos sinais do bebê
De 1 a 3 anosDesenvolvimento da fala, caminhada, exploração do ambiente, imitação e busca por autonomiaPermitir movimentos seguros, nomear objetos e emoções, ler histórias e incentivar pequenas escolhas
De 3 a 6 anosImaginação, faz de conta, ampliação do vocabulário, convivência e maior independênciaBrincar, conversar, estabelecer limites respeitosos e oferecer oportunidades de interação

Essas etapas ajudam a entender o que costuma acontecer em cada idade, mas não devem ser usadas para comparar irmãos, primos ou colegas da escola.

O que se desenvolve durante a primeira infância?

O desenvolvimento infantil acontece em diferentes áreas ao mesmo tempo. 

Quando uma criança brinca de empilhar potes, por exemplo, ela pode trabalhar coordenação motora, concentração, percepção espacial, criatividade e tolerância à frustração.

Desenvolvimento físico e motor

Envolve o crescimento do corpo e a aquisição de movimentos. Segurar objetos, rolar, sentar, engatinhar, andar, correr, pular, desenhar e usar talheres são alguns exemplos.

Para favorecer essa área, a criança precisa de espaço seguro para se movimentar, brincar no chão e experimentar diferentes movimentos.

Desenvolvimento cognitivo e da linguagem

Está relacionado à capacidade de observar, lembrar, raciocinar, comunicar necessidades e compreender o ambiente. Conversas, histórias, músicas, perguntas e brincadeiras de faz de conta contribuem para essa aprendizagem.

Mesmo antes de falar, o bebê já se comunica por meio do olhar, do choro, dos sons e dos gestos. Quando o adulto responde, ele mostra à criança que sua tentativa de comunicação foi percebida.

Desenvolvimento social e emocional

A criança começa a reconhecer sentimentos, demonstrar preferências, criar vínculos e aprender a conviver. Ela ainda precisa da ajuda do adulto para lidar com raiva, medo, frustração, tristeza e ansiedade.

Acolher a emoção não significa aceitar qualquer comportamento. É possível dizer “eu sei que você ficou bravo, mas não pode bater” e ajudar a criança a encontrar outra maneira de se expressar.

Desenvolvimento da autonomia

Com o tempo, a criança quer participar mais da rotina. Guardar um brinquedo, tentar comer sozinha, escolher entre duas roupas e ajudar em tarefas simples são oportunidades de exercitar a autonomia.

Como estimular o desenvolvimento na primeira infância?

A melhor estimulação costuma acontecer nas interações do dia a dia. Não é preciso comprar muitos brinquedos, preencher todos os horários ou transformar cada momento em uma aula.

1. Converse com a criança desde bebê

Conte o que está fazendo, nomeie objetos, imite os sons do bebê e espere sua resposta. Essa troca ajuda no desenvolvimento da comunicação e fortalece o vínculo.

2. Reserve tempo para brincar

A brincadeira é uma das principais formas de aprendizagem na infância. Caixas, panelas, tecidos, blocos, livros e elementos da natureza podem render experiências muito ricas.

O Ministério da Saúde destaca a importância do brincar como meio de expressão, investigação e aprendizagem sobre as pessoas e o mundo.

3. Leia histórias e cante

A leitura amplia o vocabulário, desperta a imaginação e cria momentos de proximidade. Com bebês, vale usar livros resistentes, apontar figuras e mudar a entonação da voz.

Cantar também ajuda a criança a perceber sons, ritmos, repetições e novas palavras.

4. Crie uma rotina possível

Ter alguma previsibilidade para acordar, brincar, comer e dormir ajuda a criança a se sentir segura. A rotina pode ser flexível e adaptada à realidade da família.

👉 Se as noites estiverem difíceis, veja também nosso conteúdo sobre como funciona o sono do bebê e como organizar uma rotina segura.

5. Cuide da alimentação e da saúde

Consultas de rotina, vacinas, saúde bucal, acompanhamento do crescimento e alimentação adequada também fazem parte do desenvolvimento.

Na fase de introdução dos alimentos, a família pode incentivar a exploração de sabores e texturas com segurança. 

👉 Para entender uma das abordagens possíveis, confira nosso guia sobre introdução alimentar com BLW.

6. Ofereça afeto e atenção responsiva

Atenção responsiva significa perceber os sinais da criança e responder de maneira acolhedora. 

Pode ser oferecer colo quando o bebê chora, observar quando ele precisa descansar ou ajudar uma criança maior a nomear o que está sentindo.

Essas interações ensinam que ela pode contar com seus cuidadores e que o ambiente é seguro.

👉 Leia também: Ser mãe é: 150 frases curtas, lindas e emocionantes

7. Equilibre o uso de telas

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda evitar a exposição desnecessária às telas antes dos 2 anos. Entre 2 e 5 anos, a orientação é limitar o uso a, no máximo, uma hora por dia, com supervisão.

Quando houver telas, prefira conteúdos adequados à idade e acompanhe a criança. Sempre que possível, preserve as refeições, os momentos de brincadeira e o período antes de dormir.

Qual é o papel da família e da escola?

A família costuma ser o primeiro ambiente de cuidado, aprendizagem e convivência da criança. É em casa que ela começa a entender como as pessoas se comunicam, demonstram afeto, resolvem conflitos e estabelecem limites.

A escola amplia essas experiências ao proporcionar contato com outras crianças, educadores, materiais, linguagens e brincadeiras. Família e escola podem trabalhar juntas, compartilhando informações sobre o comportamento, as dificuldades e as conquistas da criança.

E nenhuma mãe precisa dar conta de tudo sozinha. 

Ter uma rede de apoio durante as diferentes fases da maternidade também contribui para um ambiente familiar mais acolhedor.

👉 O documentário O Começo da Vida traz uma reflexão muito bonita sobre vínculos, presença, cuidado e a responsabilidade compartilhada pela infância.

Quando procurar ajuda profissional?

Os marcos do desenvolvimento podem ser acompanhados na Caderneta da Criança, que reúne informações sobre crescimento, vacinação, saúde e habilidades esperadas em diferentes idades.

Converse com o pediatra ou com a equipe da Unidade Básica de Saúde se você perceber:

  • perda de uma habilidade que a criança já havia adquirido;
  • pouca resposta a sons, vozes ou ao próprio nome;
  • dificuldades persistentes para enxergar ou acompanhar objetos;
  • pouca interação ou comunicação;
  • movimentos muito diferentes entre os lados do corpo;
  • qualquer comportamento que esteja causando preocupação à família.

Buscar orientação cedo ajuda a identificar se existe alguma necessidade de acompanhamento. Leve suas observações para a consulta e evite depender apenas de comparações com outras crianças.

Cuidar da infância também envolve cuidar de quem cuida

Oferecer afeto, segurança e presença fica mais difícil quando a mãe está completamente esgotada. Dividir responsabilidades, aceitar ajuda e reservar pequenos momentos de descanso também faz parte do cuidado com a criança.

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FAQ sobre primeira infância

O que é a primeira infância?

A primeira infância é a fase que abrange os primeiros 6 anos completos de vida da criança. É um período de intenso desenvolvimento físico, cognitivo, emocional, social e da linguagem.

A primeira infância começa e termina com quantos anos?

Legalmente, no Brasil, ela começa no nascimento e termina quando a criança completa 6 anos, correspondendo aos primeiros 72 meses de vida.

A gestação faz parte da primeira infância?

O Marco Legal brasileiro considera o período a partir do nascimento. Entretanto, instituições como o UNICEF incluem a gestação ao abordar o desenvolvimento infantil, pois a saúde e as experiências desse período também influenciam o bebê.

O que é primeiríssima infância?

A expressão primeiríssima infância costuma ser usada para destacar a gestação e os primeiros 3 anos de vida. É uma etapa de desenvolvimento especialmente intenso e de grande dependência dos cuidados de adultos.

Quais são as principais áreas do desenvolvimento infantil?

As principais áreas são o desenvolvimento físico e motor, cognitivo, da linguagem, social, emocional e da autonomia. Elas estão relacionadas e costumam avançar juntas.

Como estimular uma criança na primeira infância?

Converse, leia histórias, cante, ofereça oportunidades para brincar, incentive movimentos seguros e responda aos sinais da criança. Uma rotina com afeto, sono, alimentação, cuidados de saúde e limites respeitosos também favorece o desenvolvimento.

É preciso comprar brinquedos educativos?

Não. Objetos simples e seguros, como caixas, potes, tecidos, blocos, livros e utensílios domésticos, podem proporcionar ótimas brincadeiras. A presença e a interação com o adulto costumam ser mais importantes do que a quantidade de brinquedos.

Por que brincar é importante na primeira infância?

Ao brincar, a criança experimenta movimentos, cria histórias, resolve pequenos problemas, aprende palavras, expressa sentimentos e pratica a convivência. A brincadeira também fortalece vínculos e ajuda a criança a conhecer o mundo.

Toda criança se desenvolve no mesmo ritmo?

Não. Existem referências de desenvolvimento para cada idade, mas pequenas variações podem acontecer. O acompanhamento profissional é importante quando a família percebe perda de habilidades, dificuldades persistentes ou qualquer sinal que gere preocupação.

Como acompanhar o desenvolvimento da criança?

A família pode observar as conquistas do cotidiano, manter as consultas de rotina e utilizar a Caderneta da Criança. Dúvidas devem ser conversadas com o pediatra ou com a equipe de saúde que acompanha a criança.

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